segunda-feira, janeiro 30, 2006

Comic Sans


Desde há muito que tenho para com este tipo de letra um ódio fidagal. Quem me conhece já terá, decerto, presenciado a minha total transfiguração quando tenho de conviver com tal alfabeto. O "tipo de letra dos professores" ameaça a minha quietude... consome-me até às entranhas e provoca-me! A letra "querida" goza-me! Goza-me porque se instalou na maior parte das aplicações electrónicas a nível mundial. Não há ninguém que invente um antivírus para isto??? Felizmente o meu amigo Pedro Santa faz-me chegar estas notícias que, não chegando para me saciar a raiva, vão pelo menos apaziguando o meu mau feitio comicsansiano.

Oldboy

"Seja um grão de areia ou uma pedra, ambas se afundam na água"


Rescaldo do fim-de-semana:

Oldboy - 1 | Nói, o Albino - 0

quarta-feira, janeiro 25, 2006

INSANIA #1

Levemente deixou-se enroscar no corpo que se lhe oferecia com eficácia. Discretamente foi-se formando um afecto impronunciável, um esgar de solicitude que lhe permitia delirar. Não era novidade. Para nenhum. Haviam silenciado esse facto. Parceiros antigos estavam já encarcerados e, afinal, ao jantar parecia irrelevante referir experiências falhadas. O encontro havia sido preparado, estava prometido há meses e não havia já dúvidas do que os tinha aproximado. Uma garfada cuidadosamente observada, um molhar de lábios verdadeiramente sensual... pausas calculadas... silêncios estratégicos. Subiram elegantemente as escadas e entraram no elevador panorâmico. Enquanto ascendiam ao sétimo piso desejaram-se imaginariamente, cúmplices naquele espaço... atiraram sorrisos. Hesitantes chocaram ao sair da cabina e já não havia retorno. A entrega fez-se chocante, demasiado explícita. Não havia nada a esconder. A posse estava eminente. Deixaram-se arrastar até ao quarto. O colchão cedeu. Os lençóis engelharam e torceram empurrados para o fundo da cama. Não houve luz. As mãos apressaram-se a estudar os corpos. Os lábios devoraram lábios e nuca e peito e o resto. A cadência... perfeita! Ritmicamente foram escalando as propriedades um do outro. Inesperadamente detiveram-se. Olharam-se confusamente. Espancando a cabeça com as mãos dirigiu-se apressadamente para a janela. Tomou balanço e estridentemente atravessou a fina camada de vidro. Resfolegou com o prazer cortante da fronteira envidraçada. Na queda, maravilhou-se com a beleza do efeito da lua nos fragmentos vítreos que o acompanhavam. O chão chegou mais depressa do que havia concebido. Aterrou de costas e não de barriga como desejara...

Graça Morais

Jorge (I) 1996 - Acrílico, carvão e pastel sobre lona 205 x 280 cm
Col. particular


Pelo Natal pedi um Graça Morais a amigos e familiares. Recebi uns lençóis de polar! Não foi mau. Agora tenho o Jorge no meu blog... e, sempre que quiser, posso vir aqui e apreciar mais.. muito mais!

terça-feira, janeiro 24, 2006

Brains...

Um garoto dividiu uma página num milhão de pixéis. Cada pixel custava 1 dólar. O puto vendeu os pixéis todos. O puto ganhou 1.000.000 de dólares...

Ils se marièrent et eurent beaucoup d'enfants


Vale a pena!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Sim, Sr. Presidente da República!


MANUEL ALEGRE - André Carrilho


Pareceu-me que ontem foi dia de eleições. Saí para beber um café e não deu. Era muita gente na rua, bem vestida, sempre em grandes núcleos familiares. E como olhavam para mim com uns olhares estranhos, entreolhei-me, meti-me no carro e fui à CEPSA beber um café descartável. Mais tarde, os meus pais quiseram ir à rua, também. E lá fui eu pá rua outra vez. Pareceu-me que ainda lá estavam os mesmos: os que foram às urnas e os que foram às eleições. Sim, porque a mim não me enganam!

Há quem vote secreta e rapidamente. E há os outros que nem votam, não desamparam e deixam-se ficar por ali, mostrando-se, fazendo-se ver e - pior - a tentar trivialidades quando querem é perguntar-nos o óbvio. Não dou para isto, é certo.

Vai daí arranquei pá Bairrada a aproveitar os primeiros raios de sol verdadeiramente quentes deste Janeiro.

Regressei já perto do fim do dia e fiquei um pouco inquieto... Não encontrei o povo que sai à rua, que bebe e grita, que pega na família e vai buzinar por essas ruas em dia de eleições.

Cheguei a casa, sentei-me no sofá da sala, acendi um cigarro e liguei a televisão. Na SIC começava o "AIR FORCE ONE". Consultei as horas no DVD: 23H27. Fiquei surpreso... nos outros canais... o mesmo! Filmes e séries. Que raio! Mas então onde estão os resultados, os comentadores, as projecções, a guerra dos apresentadores, os candidatos, os protegidos dos candidatos, os directos para a sede deste depois de ter estado na sede daquele?

Assim já não gosto. Para mim a noite das eleições tinha uma aura inexplicável. Algo parecido com a noite do Festival da Eurovisão da Canção... ou o concurso Miss Portugal patrocionado pelo Correio da Manhã. Eram noites longas agarrado ao grande écran. A minha mãe fazia um bolo, jantávamos cedo, chegava um parente ou outro e ali ficávamos em grande expectativa, esgrimindo opiniões, suando as sondagens, fingindo oposições e no final celebrando sempre os resultados.

Mas ontem foi diferente. Estava sozinho em casa, havia bolo de laranja (lol) é certo mas angústia e expectactiva em relação ao Presidente da República só mesmo a de saber se o Harrison Ford conseguiria saltar a tempo do avião...

terça-feira, janeiro 17, 2006

(3)

Caravaggio


Conversão de S. Paulo - 1600-1601
Roma, Cerasi Chapel, Santa Maria del Popolo


A deposição no túmulo - 1603
Roma, Pinacoteca do Vaticano



Michelangelo Merigi da Caravaggio desapareceu aos 41 anos de idade (talvez assassinado), no auge de seu talento. Sombrio, homossexual, talvez louco, vadio, acusado de homicídio e de outras misérias, viveu o suficiente para nos deixar pinturas como "A deposição no túmulo " ou o fabuloso "Conversão de S. Paulo".

Roma é o paraíso para os "caravaggiers"... e "Caravaggio" de Christopher Peachment é uma excelente obra sobre o pintor (ficção narrada na primeira pessoa) para se fazer ler acompanhada da observação das pinturas referenciadas.

Olhares


Barcaça - Edou Kamara



Já há algum tempo que invasivamente faço parte de uma comunidade de excelentes fotógrafos na sua maioria portugueses (profissionais e amadores). O vício de visitar o Olhares tem-me consumido largas horas de enriquecido prazer... Testem-no!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Há dias em que me sinto assim...



Hoje, por exemplo...

Coisas com interesse que me enviam por email

sexta-feira, janeiro 13, 2006

(2)

FIREFOX é que é

Após reflectida análise sobre o problema de expressão dos títulos deste blog, cheguei à conclusão que o Safari não se aguenta... não se aguenta. Vai daí, Firefox que é como quem diz acentos no devido sítio.

(...)



Mar Agitado - Raul Nunes

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Pensado... nao dito. Escrito!

"They slit our throats // Like we were flowers // And our milk has been devoured"

Passava das 20 horas quando fez deslizar a maçaneta da porta do gabinete. Lentamente permitiu entrar luz e também a sua sombra se fez despejar no soalho. Um pé deu início à curta marcha e logo outro se lhe seguiu, fazendo cambalear uma cabeça demasiado pesada para um só par de ombros. Uma pasta que se solta, na queda arrasta casaco e cachecol e homem. O peso dos despojos permite um tranquilo suspiro do divã. No relógio digital o último minuto prepara a sua retirada... piscando... outra vez... uma vez mais parecendo acelerar para a seguinte terça-feira.

Sumario

Questões que me aborrecem.

Não poder colocar acentos nos títulos deste blog

Yves Klein




Yves Klein, percursor do monocromismo ganhou fortunas ao executar o seu talento em plataformas tão variadas como telas, esculturas, estruturas complexas, esponjas e até mesmo o corpo humano. O seu IKB2 (International Klein Blue 2) é, até hoje, a única tonalidade registada no mundo. Criatividade ao poder!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Numero 1

Segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2006... Segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2006. Hoje é um bom dia para criar um blog.

Já está.