segunda-feira, janeiro 23, 2006

Sim, Sr. Presidente da República!


MANUEL ALEGRE - André Carrilho


Pareceu-me que ontem foi dia de eleições. Saí para beber um café e não deu. Era muita gente na rua, bem vestida, sempre em grandes núcleos familiares. E como olhavam para mim com uns olhares estranhos, entreolhei-me, meti-me no carro e fui à CEPSA beber um café descartável. Mais tarde, os meus pais quiseram ir à rua, também. E lá fui eu pá rua outra vez. Pareceu-me que ainda lá estavam os mesmos: os que foram às urnas e os que foram às eleições. Sim, porque a mim não me enganam!

Há quem vote secreta e rapidamente. E há os outros que nem votam, não desamparam e deixam-se ficar por ali, mostrando-se, fazendo-se ver e - pior - a tentar trivialidades quando querem é perguntar-nos o óbvio. Não dou para isto, é certo.

Vai daí arranquei pá Bairrada a aproveitar os primeiros raios de sol verdadeiramente quentes deste Janeiro.

Regressei já perto do fim do dia e fiquei um pouco inquieto... Não encontrei o povo que sai à rua, que bebe e grita, que pega na família e vai buzinar por essas ruas em dia de eleições.

Cheguei a casa, sentei-me no sofá da sala, acendi um cigarro e liguei a televisão. Na SIC começava o "AIR FORCE ONE". Consultei as horas no DVD: 23H27. Fiquei surpreso... nos outros canais... o mesmo! Filmes e séries. Que raio! Mas então onde estão os resultados, os comentadores, as projecções, a guerra dos apresentadores, os candidatos, os protegidos dos candidatos, os directos para a sede deste depois de ter estado na sede daquele?

Assim já não gosto. Para mim a noite das eleições tinha uma aura inexplicável. Algo parecido com a noite do Festival da Eurovisão da Canção... ou o concurso Miss Portugal patrocionado pelo Correio da Manhã. Eram noites longas agarrado ao grande écran. A minha mãe fazia um bolo, jantávamos cedo, chegava um parente ou outro e ali ficávamos em grande expectativa, esgrimindo opiniões, suando as sondagens, fingindo oposições e no final celebrando sempre os resultados.

Mas ontem foi diferente. Estava sozinho em casa, havia bolo de laranja (lol) é certo mas angústia e expectactiva em relação ao Presidente da República só mesmo a de saber se o Harrison Ford conseguiria saltar a tempo do avião...